segunda-feira

Relatório sobre os Inquéritos


Tema/ Temática: "A arte de usar a Natureza"
Questão - Problema:  Segurança vs Qualidade. Que preço?                                   Grupo: 2      
Assunto: Inquéritos     

            Este relatório diz respeito aos inquéritos realizados neste período, nele constam as dificuldades sentidas, as alterações e as conclusões retiradas com a realização dos inquéritos.
             Durante a elaboração dos inquéritos houve muitas alterações e uma das razões para as mudanças e para as nossas indecisões era a falta de experiência. Nunca nenhum de nós tinha feito nada do género. Tivemos que aprender tudo: a realizar inquéritos, a fazer gráficos, a tratar dados, etc. Por esta mesma razão, temos noção que o tempo utilizado na realização dos inquéritos foi muito, no entanto consideramos que todo ele foi uma mais-valia para o nosso futuro. Certamente que, se um dia voltaremos a realizar inquéritos, não iremos cometer os mesmos erros.
            Inicialmente pensámos em alargar os nossos inquéritos à comunidade em geral, no entanto chegamos à conclusão que era mais simples e mais prático para nós se a grande maioria fosse da comunidade escolar. Outra alteração que fizemos foi no número de inquiridos. O nosso objectivo inicial era inquirir duzentas pessoas. No entanto, ao longo da fase de inquéritos fomo-nos apercebendo que não valia a pena, pois com uma amostra de cem, os resultados obtidos não deveriam ser muito diferentes.
            A fase onde sentimos mais dificuldades foi no tratamento de dados. Primeiro começamos por fazer uma tabela no Excel mas não sabíamos muito bem como começar, qual seria a disposição mais correcta, de forma a tornar a leitura dos dados mais simples. Ao princípio começámos por tratar os dados por intervalos de idades: menores que 15anos, dos 15 aos 16, dos 17 aos 18, 19 aos 25, dos 26 aos 30, dos 31 aos 40, dos 41 aos 50, dos 51 aos 65 e maiores que 66 anos. Mas desde logo nos apercebemos que esta divisão não ia funcionar, para além de serem muitos intervalos, as respostas entre algumas idades era semelhantes, por isso decidimos dividir de outra forma: menores que 16, dos 17 aos 24, dos 25 aos 39, dos 40 aos 54, maiores que 55 anos.
            Com estes inquéritos podemos retirar várias conclusões. A grande maioria da população usa perfume, não existe variações significativas entre o sexo feminino e o sexo masculino. O estilo de vida que a população tem nos dias de hoje leva-nos a concluir que há uma maior preocupação com a imagem, com a forma com que as pessoas se apresentam. No que diz respeito, aos efeitos secundários da utilização dos perfumes, a grande maioria considera que os perfumes são seguros, e só uma percentagem muito reduzida é que refere que os perfumes podem causar alergias e irritações.


Tratamento dos dados dos inquéritos



Pergunta 1: Usa perfume?
Relativamente a esta questão, facilmente conseguimos perceber que a maioria da população usa perfumes. Dentro da nossa pequena amostra foi-nos possível verificar que a utilização dos perfumes tende a aumentar com a idade até aos 54 anos. A partir dessa idade, 15% da amostra não utiliza perfumes. Constatamos assim que grande parte da população activa usa perfumes, o que poderá estar relacionado com o facto de a população activa sentir necessidade de transmitir uma boa imagem à sociedade e no seu local de trabalho.
Pergunta 2: Com que frequência?
          Relativamente a esta questão constatamos que o uso regular de perfumes é independente do sexo e da idade. No entanto, constatamos que a frequência da utilização dos mesmos, diminui ligeiramente com o aumento da idade.
Pergunta 3: Quais as características fundamentais de um perfume?
No âmbito desta questão constatamos que a característica fulcral na escolha de um perfume é a fragrância. No entanto, com o avanço da idade, parâmetros como o preço e a marca revelam-se preponderantes na compra do perfume. Uma explicação plausível é que com a idade as pessoas tornam-se mais racionais com as despesas, ponderando melhor as suas escolhas. Como consequência da experiência adquirida pela idade, o consumidor passa a aperceber-se da qualidade dos produtos de marca, o que significa que esta última torna-se num factor de peso a ter em consideração antes da aquisição do produto.
Pergunta 4: Escolhe os perfumes pelo preço?
Relativamente a esta questão, mais de metade dos inquiridos respondeu “Não”, não havendo alterações significativas de resposta entre sexos. No que diz respeito aos intervalos de idades, podemos concluir que há uma menor percentagem de pessoas a responder “Por vezes” entre os 17 a 24 anos e os 40 a 54 anos, mantendo-se aproximadamente a mesma percentagem de “Sim”.
Pergunta 5: Importa-se de gastar muito dinheiro num bom perfume?
Relativamente a esta pergunta, podemos concluir que as percentagens de respostas “Sim” e “Não” são muito semelhantes, à excepção das dos inquiridos com idades compreendidas entre os 17 e os 24 anos e com idades superiores a 54 anos, nos quais a percentagem de “Sim” é mais elevada.
Pergunta 6: Interessa-lhe a constituição/composição química de um perfume?
A partir da análise do gráfico, facilmente constatamos que a maioria dos inquiridos não se interessa pela composição química dos perfumes. Entre os 17 e os 24 anos, podemos constatar que apenas 15% se interessam por esta questão, enquanto que com idades superiores a 40  a percentagem é muito mais superior.
Pergunta 7: Considera os perfumes seguros para a saúde?
Para esta questão, facilmente podemos afirmar que a grande maioria da nossa amostra considera que os perfumes são seguros para a saúde. Sendo que para idades superiores a 54 anos esta percentagem é menor. Relativamente a este intervalo de idades, cerca de sessenta e nove por cento dos inquiridos consideram os perfumes seguros para a saúde.
As vinte e duas pessoas que responderam “Não” consideram que algumas das consequências da utilização dos perfumes são: dores de cabeça, alergias e irritações na pele, problemas respiratórios, cancro da pele e ainda o facto de os químicos utilizados na produção de perfumes serem prejudiciais à saúde humana.
Pergunta 8: Os perfumes são devidamente controlados para segurança dos consumidores?
            A análise dos gráficos permite-nos concluir que setenta por cento dos inquiridos acredita que os perfumes são devidamente controlados quanto à sua segurança para o consumidor. Entre os 15 e os 16 anos podemos constatar que apenas 9% considera que os perfumes são devidamente controlados.
Pergunta 9: Onde compra os seus perfumes?
            A maioria dos inquiridos compra os seus perfumes em locais próprios para o efeito, como perfumarias, sendo que vinte dos cem inquiridos revelaram que o fazem por catálogo. Ainda existe uma pequena minoria que adquire os seus perfumes noutros locais, como por exemplo supermercados.
Pergunta 10: É fiel a alguma marca de perfumes?
Para esta questão, foi-nos possível constatar que cerca de oitenta e cinco por cento dos inquiridos não são fieis a nenhuma marca de perfumes. Relativamente aos que responderam afirmativamente, na questão número 10.1 dos inquéritos foram reveladas as seguintes marcas:  Davidoff, Calvin Klein, Channel, DKNY, Escada, Burberrys, Dolce Gabbana,Eternity, Arnani, Boss, 212, Romance- Ralph Lauren, Cacharel

Químicos perigosos presentes nos perfumes

A existência de legislação que permite às indústrias manter em segredo  as suas formulas, possibilita às mesmas a utilização de substâncias potencialmente nefastas para o consumidor nos seus produtos.
Contudo, existem também coligações entre entidades empresariais como a Campaign For Safe Cosmetics(Campanha por Cosméticos Seguros) que se preocupam com o bem estar do consumidor e cujo principal objectivo é conseguir que as indústrias perfumísticas e de cosméticos  quebrem o seu sigilo industrial e revelem as fórmulas dos seus produtos pois estes podem conter substâncias com potencial para causar alergias, cancro entre outros problemas.
Testes laboratoriais realizados na Califórnia, EUA, a 17 perfumes presentes no mercado revelaram que estes continham substâncias frequentemente relacionadas com o desenvolvimento de asma, alergias, enxaqueca e dermatite de contacto. Entre estas destacou-se o ftalato dietilo (DEP), um agente ligado não só ao desenvolvimento anómalo dos órgãos genitais de crianças do sexo masculino, como também a malformações dos espermatozóides nos adultos. Este estudo apontou também para a possibilidade de as substâncias químicas presentes num almíscar sintético poderem ser partilhadas durante a gravidez entre a mãe e o bebe, conseguindo atravessar o cordão umbilical através do sangue. Estes químicos tóxicos presentes em alguns perfumes são protegidos por lei por serem considerados parte integrante das "fórmulas secretas" dos mesmos.




Os perfumes Eternity da Calvin Klein e Le Mâle de Jean-Paul Gaultier estão entre as fragrâncias mais prejudiciais.

Em 2005, a Greenpeace já alertara para os perigos de alguns perfumes através de um estudo semelhante aos anteriormente descritos. Das 36 fragrâncias analisadas, apenas Gloria Vanderbilt's e Bogner's Highspeed  não continham ingredientes nefastos como o DEP.

Estudo: “Not so sexy”


Not so sexy
Estudo: “Not so sexy”
Publicado por: Environmetal defence
Data de publicação: Maio de 2010
Para aceder ao estudo completo clique aqui. 

A ONG Defesa Ambiental revelou, num estudo realizado em Maio de 2010, designado NOT SO SEXY- The health risks of secret chemicals in fragrance, que várias marcas de perfumes globalmente conhecidos, contêm pelo menos dez agentes químicos secretos cujos efeitos na saúde humana podem ir de uma simples reacção alérgica a graves desregulações do sistema endócrino (hormonal). Este estudo foi considerado de elevada importância pois incide directamente sobre o nosso tema desmascarando perfumes de renome que as pessoas normalmente consideram seguras.
Dentro algumas das marcas mais famosas de perfumes pode-se destacar Giorgio Armani Acqua Di Gio, American Eagle Seventy Seven, Quicksilver, … que contêm um elevado número de compostos químicos que não estão presentes no rótulo da embalagem. Isto é possível, pois existem falhas nas leis e regulamentos que permitem ‘esconder’ químicos sem que toda a composição do perfume seja exposta ao consumidor. No entanto isto não acontece só em perfumes, mas também em champôs, loções, produtos de banho, sprays, detergentes, …
Os compostos químicos presentes num perfume prejudiciais podem ser classificados em quatro grupos:
·                     Químicos secretos;
·                     Sensibilizadores;
·                     Desreguladores hormonais;
·                     Outros químicos que não foram testados relativamente à segurança do consumidor.
Químicos secretos são químicos que não estão presentes no rótulo, mas fazem parte da composição do produto. Em média existem 14 químicos secretos em cada perfume que se podem acumular na pele humana ou passar pela placenta para o bebé quando expostos a uma mulher grávida. Estes químicos têm como consequências a desregularão hormonal e podem causar infertilidade.
Sensibilizadores são químicos que podem activar reacções alérgicas quando em contacto com a pele. Devido ao facto de existirem vários sensibilizadores nos perfumes, a fragrância, é, agora, considerada um dos cinco piores produtos causadores de alergias. As reacções alérgicas variam desde dores de cabeça, tonturas, asma ou irritação da pele. Apesar de em alguns países serem obrigados a divulgar substâncias causadoras de alergias, estas continuam a ser escondidas dos olhos do consumidor, tanto que, cada perfume contém em média 10 produtos químicos considerados sensibilizadores.
Desreguladores hormonais são químicos que afectam a produção e o transporte das hormonas e o sistema endócrino. Uma das piores consequências é que estes produtos conseguem simular a acção de estrogénios ou progesterona interferindo com actividades básicas do corpo humano, podendo causar vários tipos de cancro e problemas a nível da tiróide. No caso das mulheres grávidas, estes desreguladores podem afectar gravemente o feto.

Cada perfume contém em média quatro desreguladores hormonais, pelo que os cuidados na escolha nunca são demasiados. Alguns dos produtos com elevado potencial de desregulação endócrina são:

·                     Octinoxate;
·                     Oxybenzone;
·                     Benzophenone-1;
·                     Benzophenone-2;
·                     Diethyl phthalate;
·                     Butylated hydroxytoluene;
·                     Synthetic musks Galaxolide;
·                     Benzyl salicylate.
Pelo que na escolha do perfume é necessário ter em consideração a presença destes compostos. As medidas para evitar o contacto com estes produtos passam pela observação dos rótulos, e caso exista algum químico que possa afectar a saúde humana reclamar com a companhia produtora de modo a que os outros consumidores fiquem também avisados de todos os perigos que podem sofrer através do seu uso.

Entrevista


Com o intuito de enriquecer o nosso trabalho sobre a segurança e qualidade dos perfumes e adquirir uma visão diferente da de consumidor, realizamos uma entrevista à proprietária da loja ‘Polana’ que se tem vindo a mostrar uma grande ajuda para o nosso trabalho.

Q- A maioria dos seus clientes são de que sexo? E a média de idades?

R- É igual, tanto homens como mulheres, os homens vêm mais pela cosmética. Relativamente às idades, desde muito jovens, desde os 10 anos até 80..

Q- Qual é a característica mais importante no processo de escolha do perfume por parte do cliente?

R- A fragrância e o custo são muito importantes. Os homens levam também os maiores para durar mais, ao contrário das mulheres. Mas é tudo muito importante, desde a fragrância até à embalagem. Há que ter em conta que as diferenças entre os perfumes são muito grandes... O frasco, a cartonagem, os pormenores são todos pensados. Por exemplo, eu às vezes não consigo deitar os frascos fora.
 O facto do pH da nossa pele variar de pessoa para pessoa é muito importante, pois tem muita importância no perfume. Há diferentes famílias de perfumes e as pessoas normalmente têm preferências por uma certa família e escolhem o perfume segundo o seu gosto. O perfume é algo muito especial.

Q- Quais são os critérios que têm em conta na escolha dos seus perfumes? Preferências dos clientes, tendências ou outro facto?

R- Tendências. Não costumo escolher pelas marcas famosas, como cantores, mas sim pela fragrância, qualidade e o preço. Há aromas mais aceites. Costumo dizer às pessoas para antes de comprarem experimentarem na pele, pois é muito diferente do papel. Por vezes no papel o perfume pode ser horrível.

Q- Existe algum tipo de critério para a disposição dos perfumes nos expositores? Não corre o risco da fragrâncias se misturarem?

R- A disposição é por marcas, e não, as fragrâncias não se misturam umas com as outras. Nós temos um frasco com café para as pessoas cheirarem entre os perfumes, que permite cortar entre os aromas.

Q - Na nossa pesquisa nós vimos que existem vários tipos de perfumes, que variam entre si a concentração da essência. Por exemplo au de parfum, au de cologne, parfum,..quais são os mais comuns no mercado?

R- Hoje em dia, o parfum já quase que não existe, só de vez em quando é que uma marca tenta lançar para o mercado um perfume de tão alta concentração. Normalmente au de parfum e au de toilette são os mais comuns. O perfume de homem é sempre em concentrações inferiores à de au de toilette.

Q- Segundo um estudo canadiano, designado " Not so sexy", existem perfumes que contêm produtos químicos que não estão presentes no rótulo e que são considerados tóxicos. Estes produtos têm como função aumentar o tempo de duração do perfume. Considera que existem muitos produtos assim?

R- Na minha opinião, considero que nem tudo vem no rótulo, mas o que não vem é porque é segredo da marca, nem tudo pode ser desvendado. è importante que as pessoas experimentem antes de comprar, pois acredito que há possibilidades de provocarem reacções alérgicas. No entanto os perfumes sofrem um processo de controlo antes de chegarem ao mercado, logo, qualquer malefício que possa ocorrer, não pode ser nada de muito grave. No que diz respeito à duração, o mais importante é a qualidade do produto e o tipo de fragrância e não a composição em si.

Q- No inquérito que fizemos, observámos que as pessoas não são fiéis à marcas dos perfumes. É da mesma opinião?

R- Sim, as pessoas não são fiéis às marcas, mas sim à família da fragrância que usam.

Q- As marcas exercem alguma pressão para incentivar a uma maior à venda um dos seus perfumes?

R- Sim, as marcas exercem pressão sobre nós e, normalmente, até nos aliciam com descontos se vendermos mais um determinado produto. Mas não é nada de obrigatório, até porque eu considero a fragrância mais importante do que a marca.

Q- Por último, a idade influencia o tipo de perfume adquirido?

R- Não, a idade não está relacionada com a fragrância. Pessoas de diferentes idades escolhem ou não a mesma fragrância. Só depende do gosto do consumidor
Está tudo, obrigado pela sua colaboração.
De nada, o mundo dos perfumes é muito fascinante, e é bom que se interessem por esta temática. Sempre que precisarem de alguma coisa estarei à vossa disposição.

Perfumes contratipos


 Os perfumes contratipos são perfumes alternativos aos perfumes normais, que funcionam como espécie de clones ao nível da composição química, mas com preços mais acessíveis. A principal diferença encontra-se na concentração da essência e no tempo de duração da fragrância. Apesar de parecerem cópias dos originais, estes perfumes alternativos não são considerados ilegais. Uma vez que os frascos e os materiais usados não são de qualidade de topo, o preço final será muito mais baixo.







No entanto, como este processo de produção não é controlado, podem ser usados químicos prejudiciais à saúde, com o objectivo de aumentarem o tempo de duração da fragrância, com mais regularidade.

Estudo: “L’eau de toxines. An investigation of chemicals in perfumes”

Estudo: “L’eau de toxines. An investigation of chemicals in perfumes”
Publicado por: Greenpeace International
Data de publicação: Fevereiro de 2005

Se desejar aceder ao estudo completo clique aqui.
            Este estudo elaborado e publicado pela Greenpeace tem como principal objectivo alertar a população das substâncias químicas perigosas ou possivelmente perigosas para a saúde humana. Com o objectivo de compreender a situação real, o teste tem como base uma bateria de testes a perfumes presentes no mercado com o objectivo de verificar se na sua composição contêm duas famílias de compostos químicos: Os ftalatos e os almíscares sintéticos. Os testes realizados comprovam que estes químicos são amplamente utilizados na industria dos perfumes, o que levanta sérias questões quanto á segurança dos consumidores.
             
          O estudo tem como grande objectivo elucidar a população. Esse aspecto é bem visível na forma como explica os efeitos tóxicos dos químicos em estudo. A informação é transmitida de forma simples e clara. Além disso não são aplicados termos científicos e a linguagem não é demasiado formal.
    
    Os ftalatos e almíscares sintéticos são químicos utilizados em larga escala na produção de perfumes e produtos de higiene pessoal. A utilização de perfumes faz com que as pessoas estejam diariamente expostos, por vezes em concentrações consideráveis a estes compostos químicos. O estudo alerta para o possível risco que estamos a correr pois tanto os ftalatos como os almíscares sintéticos mostram evidências de serem tóxicos, podendo afectar a saúde humana e o ambiente.
        

Inquérito





Relatório sobre a visita de estudo

Tema/ Temática: "A arte de usar a Natureza"
Questão - Problema:  Segurança vs Qualidade. Que preço?                                   Grupo: 2
Assunto: Visita de Estudo     

Esta viagem foi planeada com o objectivo de elucidar-nos acerca de aspectos relacionados com o desenvolvimento e produção de perfumes. Assim sendo, dia onze de Fevereiro de dois mil e onze deslocamo-nos à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Inicialmente, assistimos a uma palestra geral sobre o tema relacionado com a química dos perfumes. Na palestra foi-nos dada uma síntese do trabalho realizado na faculdade. Este departamento, «Química Aplicada aos Perfumes», tem como grande objectivo melhorar os métodos de previsão do comportamento do perfume. Através de estudos laboratoriais, o departamento procura prever a duração, a intensidade, a fragrância e evolução do perfume em estudo ao longo do tempo. Tomámos conhecimento do sistema radar utilizado, que tem noventa por cento de fiabilidade. Esta técnica é muito importante, pois pode diminuir custos no desenvolvimento do perfume. Sendo a indústria dos perfumes altamente competitiva, percebemos a necessidade da criação de técnicas mais rápidas, eficientes e económicas de desenvolver um novo perfume. A palestra foi bastante educativa nesse sentido. Além disso, no final os grupos tiveram oportunidade de colocar questões. No entanto, achamos que, para o nosso tema, a palestra não foi muito vantajosa, apesar de ter sido muito interessante. A palestra tinha como tema principal elaboração de perfumes do ponto de vista da fragrância, não tendo sido abordada a possível toxicidade de certos componentes dos perfumes. Contudo, compreendemos que a palestra tenha sido bastante proveitosa para certos grupos, o que nos leva a concluir que o saldo final da palestra foi bastante positivo.
Após a palestra, foi-nos proporcionado a oportunidade de visitar alguns laboratórios da faculdade. Durante esta visita, foi-nos dado a conhecer as várias áreas de investigação. Inicialmente visitámos o laboratório onde se investiga e analisa perfumes. Os óleos são decompostos e os componentes moleculares analisados através da cromatografia de gases e espectrometria de massa. A partir destas técnicas é possível identificar os componentes e a sua quantidade. De uma forma simples e clara, foram-nos apresentados os processos e as tecnologias necessárias a este tipo de análise.
 Em seguida, visitámos um laboratório cujo principal objectivo era reconhecer, a partir do processamento de resíduos industriais, materiais com valor comercial. O laboratório procurava encontrar processos de investigação úteis à indústria e que fossem economicamente viáveis. Como exemplo, mostraram-nos a obtenção de baunilha a partir de resíduos produzidos na indústria de papel. Assim além da diminuição dos resíduos, obtém-se produtos com valor económico.
O laboratório seguinte dizia respeito às microcapsulas, no qual nos foi explicado o funcionamento e as possíveis aplicações desta área de investigação. A indústria de cosméticos, tecidos, detergentes da roupa e fatos de natação, são alguns exemplos das aplicações desta tecnologia.
Enquanto que, produtos como os cosméticos necessitam que as substâncias activas sejam colocadas em microcapsulas menos resistentes, para que a sua actuação seja mais rápida, as microcapsulas que são impregnadas nos tecidos necessitam de ser mais resistentes, para que a dispersão das fragrâncias seja libertada mais lentamente. Neste laboratório percebemos que as microcápsulas têm residências diferentes, de acordo com a utilidade pretendida. A quebra das microcapsulas está associada á temperatura, ao movimento e mesmo até ao pH.
Vimos também uma unidade de tratamento de águas. Sendo um protótipo em pequena escala, o processo era bastante simples. A água tem por vezes excesso de químicos, por exemplo antibióticos que prejudicariam o ambiente. Assim, com a utilização da energia solar, estes compostos são degradados, purificando a água.
Por último, fomos a um laboratório que tinha como objectivo estudar o grau de misturas de substâncias sem agitação mecânica. Através da velocidade de injecção dos líquidos tentava-se obter o maior nível de mistura de dois ou mais líquidos. A produção de microcápsulas constitui uma das aplicações desta técnica.
Embora a visita de estudo não possuísse uma correlação muito íntima com o nosso tema, consideramos esta experiência muito positiva. Consideramos que foi muito enriquecedora, abrindo-nos novos horizontes. Os investigadores foram extremamente simpáticos e atenciosos, tentando explicar o seu trabalho de uma forma simples e clara, facilitando assim a nossa compreensão. Achamos que a visita foi bem organizada e decorreu sem problemas, tendo sido culturalmente enriquecedora.

Legislação Europeia

 

    
    A REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and restriction of Chemicals) é a entidade europeia que regista, avalia e autoriza o uso de químicos. O seu funcionamento começou a 1 de Junho de 2007. O objectivo desta entidade é promover a saúde humana e ambiental através de uma melhor e atempada identificação das propriedades dos químicos utilizados no dia a dia. A constante busca e partilha pelo conhecimento são considerados os princípios fundamentais, a partir dos quais se poderá proteger devidamente as pessoas e o ambiente.
           
    Na passagem de milénio a união europeia sentiu necessidade de criar uma nova legislação química capaz de fazer face aos desafios actuais. A partir dessa necessidade nasceu a REACH. O seu principal objectivo é fornecer uma real protecção para o bem-estar da saúde pública e ambiental. Para conseguir alcançar os seus objectivos a REACH vai ser apoiada pela ECHA( European Chemical Agency). 

     A ECHA funciona como uma grande base de dados. Nela haverá todo o tipo de informação sobre os químicos perigosos, identificando-os e determinando o seu grau de toxicidade. De referir ainda que a informação está em constante actualização e disponível ao público e empresas que A desejarem consultar. Para esta base de dados será também muito importante o contributo das informações fornecidas pela indústria. Em caso de se detectar uma nova contra indicação para um determinado composto químico, este deverá ser reportado a ECHA. Esta organização irá funcionar como suporte de informação para a REACH, fornecendo as bases científicas que permitirão a evolução da legislação química. 

    Outro organismo europeu que trabalhará com a REACH e a ECHA é a CLP. A CLP fornece os critérios para a classificação das substâncias químicas. A CLP cede os critérios e cabe aos produtores e vendedores classificarem a substância química de acordo com a classificação da CLP, independentemente da quantidade utilizada.

    A REACH impõe regras de utilização e comercialização de substâncias químicas á industria. De facto a industria recebe da REACH uma grande liberdade mas que acarreta também uma grande responsabilidade. A indústria deverá controlar e substituir substâncias químicas perigosas por outras mais seguras e económica e tecnologicamente viáveis. No caso de uma substância perigosa ser utilizada num produto, a companhia deve avisar o consumidor dos riscos e das precauções a tomar. De destacar que a REACH apenas permitirá a utilização de uma substância química perigosa se esta trouxer um grande benefício á sociedade. A indústria terá um papel importante no fornecimento de informação para a ECHA. Em caso de se descobrir novos riscos associados a um certo químico, a industria deve informar a ECHA. Esta irá armazenar e aprofundar informação, tornando-a pública e disponível para novas situações.

     O trabalho da REACH e da ECHA é constante e começa muito antes da criação da legislação. Como já referido, a base científica que apoia a necessidade de criação de nova legislação depende destas organizações. Por outro lado, têm de responder perante a comissão europeia, órgão máximo. A REACH apenas transmite pareceres para a necessidade de alteração das leis, tendo um papel essencial na sua elaboração, mas não tem o poder de a impor. Em ultimo caso é a comissão que Europeia que decide a necessidade de actualização da legislação, que a redige e a aprova.

    No entanto a REACH não pode aplicar a legislação nos países membros. Isso seria ir contra a soberania nacional. Assim, cabe aos países membros fazer cumprir a legislação europeia. Os países membros devem verificar se os produtos comercializados se encontram dentro das normas europeias. Devem verificar a existência de substancias tóxicas e/ou verificar se os seus valores de concentração estão entre os limites legais. Cada país membro é responsável por punir os infractores e assegurar que a legislação é aplicada. Em caso de ocorrer alguma alteração na legislação química nacional esta deve ser reportada á comissão europeia. A comissão está atenta ás punições aplicadas, pois é importante que as medidas da REACH serem efectivas e persuasivas.


Composição Química das Fragrâncias


A perfumaria utiliza uma grande variedade de matérias-primas que são encontradas em diversas partes do mundo, mas muitas vezes são raras e difíceis de encontrar. Quanto mais especifica e difícil de encontrar maior é o valor do produto. As matérias-primas dos perfumes são variadas e numerosas.
 Durante muito tempo as fragrâncias características dos perfumes foram obtidas, exclusivamente a parir de óleos essenciais extraídos de flores, plantas, raízes e alguns animais selvagens. Actualmente, os óleos essenciais ainda são obtidos a partir de fontes de origem natural, no entanto têm sido substituídos cada vez mais por compostos sintéticos. O perigo de extinção de certas espécies vegetais e animais, a busca de novas essências e redução de custos conduziu a química dos perfumes aos laboratórios. Uma vez obtido um óleo essencial, a análise química permite identificar quantos e quais os componentes que estão presentes. Os químicos podem fabricar os componentes de um óleo essencial sinteticamente, reproduzindo fielmente o cheiro, ou seja, o aroma é similar, contudo as estruturas são totalmente diferentes. Como se pode comprovar pelos seguintes exemplos.

Um perfume…


A análise química dos perfumes mostra que eles são uma mistura complexa de compostos orgânicos denominada fragrância. Inicialmente, as fragrâncias/essências eram classificados de acordo com a sua origem.
Actualmente a classificação das essências engloba 14 grupos organizados de acordo com a volatilidade dos seus componentes: cítrica, lavanda, ervas, aldeídica, verde, especiarias, frutas, florais, madeira, couro, animal, almíscar, âmbar e baunilha.

O perfume vive no tempo; tem sua juventude, sua maturidade, e sua velhice (Carvalho, 2002) ”
Segundo os perfumistas, os perfumes têm na sua composição uma combinação de fragrâncias distribuídas, denominada nota. Um bom perfume tem três notas: A nota superior ou cabeça do perfume é a parte mais volátil do perfume, a sua percepção é imediata. As notas do meio ou o coração do perfume é a parte intermédia , a sua detecção é um pouco mais tardia. Por último, a nota de fundo ou a base do perfume é a parte menos volátil, esta também pode ser denominada de fixador, pois nela são utilizadas substâncias que retardam a volatilização das essências ou óleos essenciais, assim o seu aroma é conservado por mais tempo.




O grau de volatilidade vai afectar directamente a fixação do perfume. Não existe nenhum componente mágico que faça com que o perfume perdure de forma indefinida na pele. A duração tem estreita relação com a composição da fragrância em si. As moléculas que compõem um perfume vão possuir diferentes graus de volatilidade e quando misturados, vão interagir entre si fazendo com que a volatilidade final seja uma média das mesmas. Para que um perfume tenha uma duração maior deve-se aumentar a percentagem de substâncias menos voláteis na composição.
 Há outros factores que vão influenciar a fixação do perfume. Cada corpo humano tem uma química única que deriva da sua informação genética, tipo de pele, cor de cabelo, estilo de vida que leva e do ambiente em que convive. Essa química influencia o aroma que será emanado. Assim sendo, é importante que experimente o perfume na sua pele para ver como ele reage com a química do seu corpo. O tipo de pele é uma característica relevante para a escolha de um perfume. A pele morena é geralmente mais oleosa e nela as fragrâncias duram mais; peles claras preferem criações multi-florais de longa duração. Geralmente têm a pele seca e nela as fragrâncias evaporam facilmente.


A qualidade de um perfume depende do equilíbrio entre estas três fases, bem como da qualidade dos ingredientes individuais e da harmonia entre os diferentes materiais empregues. A criação de um perfume exige inspiração, fantasia, mistério, anos de pesquisa e de preparação, sendo necessários milhares de experiências para chegar à forma definitiva. Só o conhecimento técnico e especializado permite a selecção adequada de ingredientes e a construção de um perfume.
O perfume é uma mistura composta por três componentes básicos: as essências ou óleos essenciais, os fixadores e os solventes. Este último é utilizado para dar ao preparado a concentração ideal, sendo os mais comuns a água e o álcool. De acordo com a concentração, ou seja, de acordo com a quantidade de óleos essenciais diluídos num solvente podemos classificar uma fragrância.
O óleo essencial é uma mistura complexa de compostos orgânicos voláteis, com até centenas de constituintes distintos, extraídos por processos específicos de vegetais. Actualmente, as empresas de fragrâncias têm conseguido capturar e sintetizar os odores das plantas. Através da utilização de um cromatógrafo gasoso a mistura é separada em fragrâncias individuais que são depois identificadas pelo espectrómetro de massas. Desta forma, é possível decompor um cheiro e identificar quimicamente todas as substancias aromáticas mais simples.

Cromatógrafo gasoso com espectômetro de massa

quarta-feira

Um pouco de história…

Acredita-se que os primeiros perfumes surgiram, provavelmente, há mais de 800 mil anos, quando o homem descobriu o fogo. Os deuses eram homenageados através da queima de madeira e de folhas secas. Posteriormente, estes rituais foram incorporados pelos sacerdotes dos mais diversos cultos, que utilizavam folhas, madeiras e materiais de origem animal como incenso, na crença de que a fumaça levaria a suas preces para os deuses. Daí o termo “perfume” originar-se das duas palavras latinas per e fumare, significa através de fumaça. O passo seguinte no emprego dos aromas foi a sua apropriação pelas pessoas, para seu próprio uso. Os historiadores acreditam que esta arte de elaborar perfumes começou no Antigo Egipto, devido aos elevados cuidados de higiene pessoal do povo egípcio. Lavavam-se ao acordar, antes e após as refeições. Em seguida passavam incenso perfumado pelo corpo.
Um avanço posterior foi a descoberta de que certas flores e outros materiais de origem vegetal e animal, quando imersos em gordura ou óleo, deixavam nestes, o seu o seu princípio odorífero. A arte da extracção foi bastante desenvolvida pelos árabes há cerca de mil anos e foram eles os responsáveis pela perpetuação do uso de perfumes, dado que com o advento do cristianismo, o uso dos perfumes foi banido, uma vez que o seu uso era associado a rituais pagãos. O ressurgimento da perfumaria no Ocidente deveu-se, em parte aos mercadores que viajavam para a Índia em busca de especiarias e também aos cruzados, que aquando do seu retorno á Europa traziam toda a arte e habilidade da perfumaria oriental. A arte da perfumaria prosperou, mas foi na França durante o século XVI que triunfou. No século XVII, as plantas aromáticas cultivadas na região de Grasse, a capital do perfume, serviram de matéria-prima e impulsionaram o crescimento da indústria perfumista. O intenso cultivo de flores na França fez com que o país sofresse um grande desenvolvimento ao nível perfumaria, permanecendo desde então como o centro europeu de pesquisas e comércio de perfumes.