Estudo: “L’eau de toxines. An investigation of chemicals in perfumes”
Publicado por: Greenpeace International
Este estudo elaborado e publicado pela Greenpeace tem como principal objectivo alertar a população das substâncias químicas perigosas ou possivelmente perigosas para a saúde humana. Com o objectivo de compreender a situação real, o teste tem como base uma bateria de testes a perfumes presentes no mercado com o objectivo de verificar se na sua composição contêm duas famílias de compostos químicos: Os ftalatos e os almíscares sintéticos. Os testes realizados comprovam que estes químicos são amplamente utilizados na industria dos perfumes, o que levanta sérias questões quanto á segurança dos consumidores. O estudo tem como grande objectivo elucidar a população. Esse aspecto é bem visível na forma como explica os efeitos tóxicos dos químicos em estudo. A informação é transmitida de forma simples e clara. Além disso não são aplicados termos científicos e a linguagem não é demasiado formal.
Os ftalatos e almíscares sintéticos são químicos utilizados em larga escala na produção de perfumes e produtos de higiene pessoal. A utilização de perfumes faz com que as pessoas estejam diariamente expostos, por vezes em concentrações consideráveis a estes compostos químicos. O estudo alerta para o possível risco que estamos a correr pois tanto os ftalatos como os almíscares sintéticos mostram evidências de serem tóxicos, podendo afectar a saúde humana e o ambiente.
O dietil ftalato (DEP), o ftalato mais comum, até então considerado como não tóxico viu a sua segurança abalada através de estudos realizados por altura da publicação do estudo. Novas evidências associam o DEP a modificações do DNA presente nos espermatozóides. Outros ftalatos, em concentrações elevadas podem estar relacionados a problemas pulmonares em homens adultos. Um facto a destacar foi o de os ftalatos atingirem maiores concentrações no organismo de mulheres, normalmente mais expostas aos perfumes e cosméticos. Efeitos a longo prazo da exposição ao DEP são no entanto desconhecidos ou inconclusivos.
Os almíscares sintéticos, outra das substâncias em estudo, são fragrâncias mais baratas e amplamente utilizadas em substituição dos almíscares naturais. São persistentes no ambiente, sendo muito difíceis de degradar. Os almíscares sintéticos podem acumular-se em tecidos vivos (bio-acumulaçao), o que faz levantar muitas questões quanto á sua segurança. Estes compostos químicos já foram encontrados em concentrações consideráveis no sangue humano e leite materno. Existem evidências de que podem interferir com o sistema hormonal, inclusive no homem. Os efeitos nocivos parecem afectar de forma mais grave o sistema hormonal feminino, podendo mesmo afectar os seus órgãos genitais.
Após uma descrição dos riscos das substâncias em estudo, a organização passa aos resultados que obteve a partir dos testes feitos aos perfumes com presença de mercado. A Greenpeace salienta a sua intenção de que a amostra fosse o mais aleatória possível, tornando assim os resultados muito aproximados com realidade geral. A amostra era composta por 36 marcas de perfume e água-de-colónia.
Os resultados evidenciam desde logo a larga escala de ftalatos e almíscares sintéticos. No entanto, as concentrações destes variavam bastante de marca para marca. O DEP foi o ftalato com maior número de presenças, 34 em 36. Por outro lado os almíscares sintéticos azotados encontraram-se em poucos perfumes, ou então em quantidades praticamente não detectáveis. No entanto os almíscares policíclicos foram encontrados em quase todos os perfumes, variando muito na sua concentração. De referir também que algumas marcas apresentavam concentrações de ftalatos e almíscares muito superiores ao que reportaram.
A razão para disparidade de concentrações entre marcas é desconhecida. Por outro lado certas marcas optavam por não utilizar os compostos em estudo (ou em quantidades muito pequenas) na produção dos seus perfumes. Segundo a Greenpeace, esta é uma prova que sustenta que os perfumes podem ser produzidos sem recorrer aos ftalatos e almíscares sintéticos. Segundo a Greenpeace estas empresas devem ser um exemplo para as outras. Como os riscos associados a estes compostos químicos ainda não são totalmente conhecidos, as empresas deviam optar pela sua não utilização. A organização refere que estas empresas podem denotar uma sensibilidade pela segurança do consumidor, o que consideram louvável e qualidade a imitar por toda a indústria dos perfumes.
Na parte final do estudo, a Greenpeace faz questão de alertar para a larga utilização destes químicos perigosos se deve em grande parte ao facto de os governos não controlarem devidamente a aplicação da legislação, e esta por seu lado, não ser suficiente para uma real protecção dos cidadãos. Por outro lado refere o processo (2004) de alteração legislativa em que se encontrava a união europeia. Na altura da publicação do estudo a União europeia, através do parlamento e governos dos estados membros, encontrava-se empenhada em criar uma legislação química forte com o objectivo de proteger os cidadãos europeus. Esta informação encontra-se no entanto desactualizada. A partir de 2007 a União europeia sofreu uma enorme revolução na legislação química. Com a REACH a União Europeia pareceu colmatar muitas das preocupações da organização.
Em jeito de conclusão o estudo refere que por vezes os resultados sobre a segurança dos químicos em estudo são inconclusivos não tendo bases fortes que comprovem a toxicidade dos mesmos. Por isso a organização transmite uma ideia de prevenção. Quando a toxicidade de um químico não fica nem comprovada nem totalmente posta de parte a medida a tomar deve ser a diminuição da quantidade a utilizar no produto. O caminho a seguir deve ser baseado na prevenção e inovação. As empresas dever consciencializar-se dos riscos e procurar alternativas viáveis. Em jeito de desafio, incita os governos a criarem leis fortes que protejam os seus cidadãos e o ambiente.
Se quiser aceder ao estudo clique aqui.
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